Inovação é, por natureza, um investimento de médio e longo prazo. Resultados relevantes raramente aparecem no curto prazo, especialmente quando falamos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PDI). Esse descompasso entre tempo de maturação e pressão por retorno é um dos principais motivos pelos quais muitas áreas de inovação perdem força… ou simplesmente deixam de existir.
Quando a inovação é percebida apenas como um centro de custos, sua sobrevivência passa a depender exclusivamente da boa vontade orçamentária da alta gestão. Em cenários de restrição financeira, ela costuma ser uma das primeiras áreas a sofrer cortes. O problema não está na inovação em si, mas na forma como ela é estruturada desde o início.
O erro de tratar inovação como “ralo de despesas”
Ainda é comum encontrar áreas de inovação criadas sem um modelo financeiro claro. Elas começam com orçamento próprio, equipes dedicadas e grandes expectativas, mas sem uma estratégia consistente de sustentabilidade econômica.
Como os resultados demoram a aparecer – e frequentemente são indiretos – o investimento passa a ser questionado. O discurso se repete: “inovação é importante, mas é cara”. Aos poucos, o orçamento encolhe, os projetos perdem escala e a área deixa de cumprir seu papel estratégico.
Nesse cenário, a inovação perde legitimidade interna e passa a disputar recursos com áreas que entregam resultados mais imediatos.
Inovar de forma sustentável é possível… e necessário
Existe uma alternativa clara a esse modelo: estruturar a inovação desde o início com mecanismos de captação de recursos. Isso muda completamente a lógica da área.
Em vez de depender exclusivamente de orçamento interno, a inovação passa a:
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acessar recursos não reembolsáveis;
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estruturar projetos com financiamento incentivado;
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conectar-se a editais, chamadas públicas e instrumentos de fomento;
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viabilizar projetos que beneficiam não apenas a própria área, mas outras unidades da empresa.
Quando bem estruturada, a área de inovação deixa de ser apenas consumidora de recursos e passa a ser também geradora de alavancagem financeira.
A lógica do “1 para 1” na inovação
Um conceito central para a sustentabilidade financeira da inovação é aproximar a conta do 1 para 1: para cada real investido pela empresa, buscar um real (ou mais) captado externamente.
Isso pode acontecer de diferentes formas:
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projetos de inovação cofinanciados;
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iniciativas que subsidiam desenvolvimento tecnológico de áreas estratégicas da empresa;
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uso de instrumentos de fomento para reduzir risco e custo de PDI;
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criação de portfólios de projetos com diferentes níveis de maturidade e financiamento.
Claro que, muitas vezes, a área ainda não tem projetos definidos que permitam captação de recursos. Não tem problema! Pode-se auxiliar na captação de recursos para outra área da empresa, criando um “fundo de captação” realizado pela equipe de inovação. É como se a área de inovação se vendesse para a gestão como autosuficiente, através de um encontro de contas com outras áreas: a área custou x mas captou recursos para outras áreas que economizaram ou geraram valor de y. Enquanto y for maior ou igual a x, e desde que haja bom senso, não o que se discutir quanto ao investimento em inovação.
Quando a inovação começa a trazer recursos para dentro da organização – ou a reduzir significativamente o custo de inovar – o discurso muda. A área passa a ser vista como estratégica, eficiente e financeiramente inteligente.
O impacto da captação na longevidade da inovação
Áreas de inovação que dominam mecanismos de captação conseguem:
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manter investimentos mesmo em cenários adversos;
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ampliar escopo e ambição dos projetos;
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reduzir a pressão por resultados imediatos;
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sustentar uma visão de longo prazo sem perder relevância no curto prazo.
Mais do que isso, elas ajudam a disseminar a inovação pela organização, viabilizando projetos em outras áreas e fortalecendo a cultura inovadora como um todo.
Inovação forte é inovação financeiramente estruturada
Se a inovação depende apenas de orçamento próprio, ela fica vulnerável. Se depende apenas de resultados de longo prazo, ela perde força política interna. Mas quando nasce com uma estratégia clara de captação e sustentabilidade financeira, ela ganha autonomia, escala e legitimidade.
Na Helix, essa visão orienta a forma como estruturamos áreas e projetos de inovação junto aos nossos clientes. A inovação não precisa – e não deve – ser um ralo de despesas. Ela pode ser sustentável, estratégica e financeiramente inteligente desde o início.
Porque inovar é essencial. Sustentar financeiramente a inovação, mais ainda.
